Desde que o desenvolvimento económico acelerou nos países muçulmanos, após as independências no fim da Segunda Guerra Mundial e a subida dramática do preço do petróleo nos anos 70, que os grandes centros urbanos têm-se revelado pólos de atracção para grandes números de migrantes provenientes de zonas rurais e aldeias empobrecidas, do interior destes países.
Não será de estranhar que a grande maioria se sente perdida e desenquadrada nestes ambientes cosmopolitas. As cidades tornam-se assim depósitos de massas humanas alienadas, encaixotadas em subúrbios. Uma audiência facilmente cativável e recrutável por parte de grupos revolucionários, seculares e religiosos.
Os muçulmanos fundamentalistas tentam juntar os alienados em torno do Islão, se lhes for permitido operar abertamente. Apresentam o Islão como uma religião de justiça e igualdade, caracterizando o regime político instalado como injusto, não-islâmico e corrupto. Merecendo ser derrubado ou no mínimo substituído de forma não-violenta por um regime de crentes. As tácticas para o alcance deste objectivo variam:
a) Desde a criação de células secretas, que propagam os seus ideias em mesquitas e ajuntamentos populares;
b) Desde a confrontos sangrentos com forças de autoridade;
c) Desde à participação pacifica em eleições;
d) Desde a planificação e execução de ataques terroristas;
e) Desde a subversão de instituições oficiais através da infiltração.
Normalmente grandes organizações tendem a operar abertamente e pequenas organizações tendem a operar clandestinamente. Por outro lado organizações grandes como a Irmandade Muçulmana, uma organização que goza de grande popularidade no Egipto, sempre manteve uma importante estrutura underground, mesmo enquanto foi permitido o seu funcionamento às claras. Mas independentemente do seu tamanho o objectivo deste tipo de organizações mantém-se sempre o mesmo; a instalação de um regime cujas leis fundamentais se baseiem na Sharia.
Uma das formas usadas para a instauração de um regime islâmico é a transformação do protesto social, num movimento revolucionário, usando símbolos islâmicos, linguagem islâmica e festivais religiosos. Foi isto que aconteceu no Irão, com a diferença de que lá não existia um partido islâmico como a Irmandade Muçulmana, em vez disso existia um movimento mais influente, uma orgânica de ulama Xiita, com autonomia económica e uma estrutura extensíssima. Outro caminho para a instauração de um regime islâmico passa pelo assassinato do Chefe de Estado, exemplo disso o assassinato de Muhammad Anwar Sadat no Egipto, ou a captura de um importante local religioso como a Mesquita Sagrada em Meca.
Hosni Mubarak na génese da internacionalização de alguns grupos terroristas.
No entanto a corrupção e a opressão que levaram à dissidência e à violência no Egipto e na Arábia Saudita, mantêm-se. Em vez de permitir que os moderados da Irmandade Muçulmana tivessem uma participação política activa, como foi sugerido por Clinton ao presidente Hosni Mubarak, o Egipto retomou o processo de perseguição, tribunais marciais e julgamentos sumários dos membros da Irmandade. Braços radicais da Irmandade como a Gamaat al Islamiya e a Al Jihad, foram tão reprimidos que se viram forçados a abandonar o país. Por isso enquanto Mubarak resolvia a questão do fundamentalismo no Egipto, exportava parte do problema para o exterior – ajudando assim indirectamente a Al’Qaeda que apesar de ser um interveniente relativamente novo nestas andanças, se fundiu com a Al Jihad em 1998.
Acho que poderei entender isto como uma parte da resposta à pergunta que tinha formulado noutro post.
Reconheço a minha quase nula informação sobre as diferentes organizações no mundo muçulmano e este artigo é bastante informativo. Desconhecia a existência da Irmandade Muçulmana, nem sei qual a sua perspectiva. Desconheço também o significado de Sharia.
Sem querer ser incomodativa, gostaria que pudesse falar mais sobre isso.
Abraço blogueiro
GIN
Caro GIN, tentarei esclarecer numa série de post ainda não prontos. Tem de compreender o modus operandi deste blog: uma constante tradução de inglês ou árabe para português feita por Moha, a quem deixo aqui mais uma homenagem.
Afixado por: SameerBaz em outubro 16, 2003 11:24 AMagradeço-te muito sinceramente aceitares "blogar comigo", penso que isso é complicado para ti porque, como dizes, tens que recorrer a um tradutor.
Mas a verdade é que tens sido uma fonte de informação diferente das perspectivas que tenho encontrado e, por isso, ainda mais grata estou.
Um abraço Blogueiro
A GIN
Afixado por: Gin em outubro 17, 2003 12:10 AM