São horas para a paragem do dia. Atiro a minha carga para o chão. Olho em volta à procura de pequenos arbustos secos, preciso de lume para o chá. Quebro os ramos secos e estaladiços com facilidade, levanta-se um pouco de areia. Olho para sul. Acendo o fogo. Lavo as mãos e a cara com a areia do deserto. Chamo para a oração.
Allahu akbar
Allahu akbar
Haya ‘ala –s- salah
Haya ‘ala –s- salah
Haya ‘ala –l- falah
Haya ‘ala –l- falah
Allahu akbar
Allahu akbar
Palavras baralhadas pelo vento. Inclino-me perante Deus.
Horas do chá. Que verto três vezes sobre o copo vazio antes de beber.
I
Olhos imensos, perdidos
de futuro, num rosto cego.
Corpo crispado, ossudo,
recortado na ausência de sombra
das areias quentes do deserto.
Momento curto de existência
que nunca tomou a forma de vida.
II
Nas areias do deserto mulheres teimam
dar carne da sua carne à morte.
Figuras, finas estacas
que sobre elas se derramam
e assinalam os corpos enterrados
ainda tenuemente vivos
perante os olhos impávidos das câmaras.
GIN
Afixado por: Gin em outubro 16, 2003 01:12 AMLindo.
Afixado por: SameerBaz em outubro 16, 2003 11:21 AMjlk