outubro 16, 2003

Irmandade Muçulmana na génese de tanta coisa

Num comentário de 16 de Outubro, o leitor do blog Gin e Tónico, deixa no ar a vontade de maior informação sobre a Irmandade Muçulmana. A Irmandade Muçulmana caro leitor, surgiu em 1928 em Ismailiya no Egipto, como um clube de jovens, que dava ênfase à reforma social e moral, através da comunicação, informação, mas também da propaganda.

O nascimento da Irmandade em Ismailiya tem um fundo lógico, nessa altura Ismailiya era o Quartel-General da Companhia do Suez e principal base militar britânica no Egipto, sendo portanto um poderoso vórtice multi-dimensional da influência Ocidental e visto como uma ameaça para a identidade política, económica e cultural do povo egípcio. Foi só depois dos egípcios terem em 1936 montado resistência armada, e os palestinianos árabes terem-se revoltado na Palestina contra o Mandato britânico e a colonização Zionista em 1936-37, que a Irmandade se transformou formalmente numa entidade política (1939) o que ilustra a tese de que o radicalismo floresce debaixo de uma ameaça exterior. A Irmandade declara então que:

a) O Islão é um sistema abrangente e evolutivo, sendo a derradeira “way of life”, em todas as esferas,
b) O Islão fundamenta-se e emana de duas fontes, o Alcorão e a da Tradição Profética,
c) O Islão é aplicável a todos os tempos e lugares.

A Irmandade Muçulmana passou então por períodos mais conturbados com Nasser (1953-70) e menos conturbados com Sadat (1970-81), que até concedeu alguma legitimidade política à Irmandade, que conseguiu sentar quase dez membros no Parlamento, e reclamando cerca de um milhão de apoiantes. Mas Sadat visava co-optar os líderes da Irmandade, tornando-a assim mais reformadora. Esta jogada fez com que alguns membros da Irmandade abandonassem o movimento para estabelecer movimentos autónomos mais radicais entre eles;

a) Mukfirtiya,
b) Jund Allah,
c) Al Jihad,


Algumas destas células secretas atacaram cinemas, bares e discotecas consideradas ofensivas aos bons costumes islâmicos, durante este levantamente as autoridades egipcias prenderam 60 activistas. Estas prisões levantaram boa parte da população que exigia um julgamento justo para os activistas em vez de um encarceramento indefinido.

Em 1978 a Gamaat Al Islamiya venceu as eleições para a União dos Universitários com 60% dos votos. A maioria dos estudantes universitários, tinha origem rural e na pequena burguesia, que sempre constituiu a espinha dorsal da Irmandade. Alienados pelo reconhecimento de Israel por parte de Anwar Sadat, desgostosos com a corrupção material e espiritual do regime egipcio, sentindo-se ameaçados pela abertura da economia à “invasão” estrangeira e com cavar do fosso entre a elite rica e a maioria pobre, esta secção da sociedade tornou-se inimiga de Sadat.

Ayman Zawahiri entra em cena

Por volta dessa altura Ayman Zawahiri chefia uma das células da cidade do Cairo, filho de um prestigiado farmacêutico egipcio, Zawahiri tornou-se depois um cirurgião reputado antes de se tornar em 1978 no líder incontestado da Al Jihad, que mais tarde depois de erros sucessivos de Hosni Mubarak, se fundiu com a Al’Qaeda, tendo Zawahiri se tornado no braço direito de Bin Laden.

A 6 de Outubro de 1981 seis soldados, membros secretos da Al Jihad, durante uma parada militar metralham Sadat e vários outros. O Tenente Khalid Ahmad Shawki Istambouli, que puxou o gatilho que tirou a vida a Sadat declarou mais tarde, “Matei o Faraó, mas não temo a morte.”

Publicado por resistencia em outubro 16, 2003 03:49 PM
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