Shanfara, a pre-Islamic poet, uses the desert to glorify the freedom that comes with this wandering. In "Arabian ode in 'L,'" Shanfara writes:
How many a desert plain, wind-swept,
like the surface of a shield,
empty, impenetrable,
have I cut through on foot,
joining the near end to the far,
then looking out from a summit,
crouching sometimes,
then standing,
while mountain goats, flint-yellow,
graze around me,
meandering like maidens
draped in flowing shawls. (Shanfara 1994, 943)
When Shanfara separates himself from his tribe, he asserts his individual existence and embraces the desert. The desert is a place for being alone, but not lonely. This is different than the wandering as seen by Jabra and others; it is not a "plodding" or a "ceaseless wandering" with no goal, but an act of affirmation in "joining the near end to the far." In other words, wandering becomes an act of connectedness. Moreover, the desert is "wind-swept" and "empty," but it is not barren; Shanfara is part of a landscape that includes mountain goats grazing around him. Nature is alive and productive in the desert.
Os ataques à bomba no Iraque sucedem-se. A proporção entre atentados no Iraque e no resto do mundo Ocidental é inversamente proporcional, e a resposta é óbvia. Na medida em que foi desbaratada do Afeganistão e espalhada pelo mundo a Al-Qaeda entrou em velocidade de cruzeiro, perseguida e vigiada, tentou viver de frutos colhidos no passado.

O caótico Iraque é o local perfeito para quem quer que seja se esconder. O Iraque é neste momento o centro da guerra de Bin Laden, foi para lá os seus esforços convergiram. Não esqueçamos que a Al-Qaeda não é apenas um grupo terrorista, a Al-Qaeda é uma amálgama de movimentos, sob a batuta de Bin Laden.
Os atentados à bomba com camionetas e carrinhas sempre foram assinatura do Hizbollah no Líbano e em Israel. Esse know-how passou via operacionais egípcios, para os operacionais sob as ordens Bin Laden, que depois de expulsos do Afeganistão actuaram na Chechénia, e agora rebentam-se diariamente no Iraque.
Não faz sentido apontar todos os ataques para os lealistas de Saddam, alguns serão sem dúvida, mas pessoalmente duvido que algum atentado suicida, envolva leais a Saddam, Saddam não é um mullah por quem muita gente esteja disposta a suicidar-se. Falta-lhe a legitimidade religiosa, aliás poucos religiosos são adeptos fervorosos de Saddam.
É sabido que o Ramadão faz com que o consumo de tabaco aumente tremendamente. Quem normalmente fuma 20 cigarros por dia pode chegar a duplicar este número.
Mas exite também quem use o Ramadão como uma oportunidade para deixar de fumar, é uma questão de "mind over matter".
Encontrei este blog engraçado, é o Fumaças.
O Ramadão é o nono mês do calendário muçulmano. É durante este mês especial que os muçulmanos fazem jejum. Este jejum deve ser observado durante o dia enquando houver luz no céu. Há noite ingerem-se pequenas refeições com amigos e a família.`
É uma altura de devoção de contemplação, uma altura de fortalecer os laços com a família e a comunidade.
Aproveitando esta onda analítica respondo com bem mais de um mês de atraso a um jovem estudante de Relações Internacionais e amável leitor, chamado Luís Carvalhosa que pergunta:
[...] Gostaria se possível de ler a sua análise sobre a coabitação entre os EUA e os Talibãs, antes dos atentados do 11 de Setembro, uma vez que julgo que numa fase inicial os EUA nunca condenaram o tratamento dado às mulheres. Tendo apenas apregoado esse refrão quando dos ataques ao Afeganistão.
Antes de mais espero que essa sua pergunta não fizesse parte de um trabalho para casa passado pelo professor, pois se assim for, dado o tardar da minha resposta, já vai tarde e a más horas. Estou a brincar caro Luís.

O processo de ascensão ao poder por parte do movimento talibã é complexo, mas culminou com a tomada de Cabul e com a prisão dentro do compound das Nações Unidas do Presidente Muhammad Najibullah e do seu irmão Shahpur Almadzai.
Najibullah foi castrado e arrastado por jipes pela cidade fora, antes de ter sido baleado na cabeça e pendurado pelo pescoço, ao lado do cadáver do seu irmão numa das praças principais de Cabul. Depois deste acto brutal a cúpula talibã emitiu sentenças de morte a Dostum, Rabbani e Massoud, mas não a Hikmatyar que também era de etnia Pastun.
Após a tomada do poder a Rádio Sharia emite um longo comunicado onde proíbe:
1. A posse de armas
2. O trabalho fora de casa por parte das mulheres
3. A presença fora de casa de uma mulher quando não acompanhada por um parente do sexo masculino.
4. Que os homens façam a barba
5. Que os homens não usem um turbante
6. Que as mulheres usem no exterior outra coisa que não uma burqa
7. A exposição de fotos de animais ou pessoas
8. A audição de música
9. Que se assobie
10. Que se tirem fotografias ou se façam videos.
Hamid Karzai congratula os Talibã
Através do desarme dos civis o novo regime trouxe alguma acalmia e tranquilidade a Cabul onde 50.000 civis tinham morrido fruto de uma longa guerra civil e uma total anarquia social ao velho estilo Far West, em que o mais rápido com a AK-47, era quem tinha sempre razão. Esta nova condição fez com que o actual Presidente do Afeganistão Hamid Karzai desse publicamente o seu apoio a esta nova facção.
Esta vitória dramática das milícias talibã, não caiu bem no meu País, nem na Rússia e para dizer a verdade, não caiu bem em nenhum país da Ásia Central. Pelo contrário o Paquistão rejubilou por ter contrariado os planos de Teerão e por ter conseguido levar os seus protegidos ao poder, mas isto já era o esperado. O que não era esperado era a reacção de Washington.
Washington dá luz verde aos Talibã
Ao invés de ter feito soar o alarme pela subida ao poder da milícia islâmica mais fundamentalista, os EUA afirmaram através do porta-voz do Departamento de Estado Glyn Davies, que “não havia nada de objectável às políticas domésticas praticadas pelos talibã”, isto foi afirmado no Middle East International de Outubro de 1996 e é facilmente verificável.
Ironicamente por todo o Irão os clericos iranianos foram rápidos a condenarem principalmente a proibição das mulheres afegãs em terem direito a ir à escola, descrevendo esta e outras práticas como não-islâmicas. Os EUA mantiveram o silêncio.
A falta de uma verdadeira política afegã para o período pós-Najibullah, levou os EUA a seguirem e guiarem-se um pouco pela política paquistanesa, que dava ênfase à hostilidade talibã para com a Rússia, que tentava exercer de novo alguma influência no Afeganistão, e para as vantagens que um “forte e honesto” regime talibã no Afeganistão poderia fazer em relação ao cultivo de papoilas que tinha atingido as 3000 toneladas, o que consistia metade da produção mundial de heroína, que em grande maioria tinha os EUA como destino.
Vantagens Económicas e Iranofobia
Outra vantagem para “todos” ou “alguns”, era o plano de construção de um pipeline de gás natural do Paquistão para o Turquemenistão, com passagem pelo Afeganistão. Um negócio em que a Unocal, uma das maiores empresas petrolíferas americanas estava interessada. “ Nós vemos a subida ao poder dos talibã, como uma coisa muito positiva”, disse Chris Taggart Vice-Presidente da Unocal (no Observer de Agosto de 98).
Tudo isto apimentado por uma iranofobia que caracteriza o regime americano, fez com que Washington pressionasse o governo do Turquemenistão a aceitar que o pipeline passasse pelo Paquistão e não pelo Irão e pela Turquia.
As doutrinas fundamentalistas e desumanas defendidas pelos talibã, levaram a uma clara divisão geoestratégica na região. Irão, Turquia, Rússia e Ásia Central por um lado, Paquistão e Arábia Saúdita do outro, com os americanos a pescar dividendos desta fractura.
Bin Laden influencia Mullah Omar
Em Outubro do ano em que os Talibã chegaram ao poder, Mullah Omar convoca Usama Bin Laden, para averiguar da sua lealdade, uma vez que durante a guerra civil Bin Laden foi um apoiante de Hikmatyar e não de Yunus Khalis o favorito de Mullah Omar. Bin Laden reconhece Omar como o Comandante dos Fiéis e Omar promete protecção a Bin Laden. Pouco depois deste encontro Bin Laden dá a sua primeira entrevista televisiva a um jornalista do Al-Quds al Arabi.
Durante a entrevista Abdel Atwan, o jornalista do Al-Quds testemunha a organização e poderio da organização de Bin Laden, que durante a entrevista brandiu documentos atestando a promessa governamental saudita à organização no valor de 400 milhões de Euros, que é o dobro do valor em ajuda que a União Europeia vai actualmente doar para a reconstrução do Iraque.
Com chegada a Peshawar no Paquistão de uma equipa de assassinos da CIA, Bin Laden muda de Quartel-General e refugia-se nos confins de Kandahar. Onde passa a privar quase todas as noites com Mullah Omar com quem tem longas conversas. Lentamente e sob a influência retória de Bin Laden, Mullah Omar começa a virar-se contra os americanos e contra o Ocidente.
(Caro Luís continuarei para a semana)

Perguntas atiradas para o ar:
1) Ao aceitar as visitas relâmpago por parte dos inspectores o Irão está a expôr parte da sua soberania. Deixaria a Rússia que inspectores iranianos fizessem uma inspecção relâmpago à Chechénia para uma verificação das alegações de massacres lá cometidos? Permitiriam os EUA uma visita relâmpago de inspectores iranianos a Guantanamo?
2)Israel dispõe de um vasto arsenal nuclear. Não seria preferivel limparmos TODO o Médio Oriente de armas nucleares?
3)Toda esta questão das inspecções... não vimos já isto no Iraque?
4) Os EUA afirmam que o Irão, sob o ponto de vista energético não necessita de centrais nucleares, mas não foram os EUA que nos anos 70 planearam a construção de 8 centrais nucleares no Irão?
A Assembleia Geral das Nações Unidas, aprovou com esmagadora maioria uma resolução que exige que Israel, pare imediatamente a construção do Muro que isola a Cisjordânia. Esta resolução que o Resistência saúda, exige também que as parcelas de Muro já existentes sejam derrubadas.
Os israelitas afirmam pela voz de um membro do seu Governo que o Muro vai continuar.
A areia fria a entrar nas sandálias pela manhã,
Os grandes escaravelhos pretos,
Os arbustos secos que rolam, empurrados pelo vento,
A areia que se acumula debaixo do relógio,
O cabelo seco,
O horizonte ondulante,
O silêncio entre os caminhantes,
O chocalhar da água no cantil,
O balouçar da bússula presa ao peito,
O desdobrar das esteiras para orar,
Os contornos de alguém com o sol por trás,
Vários Bismillahs sussurrados,
O som dos camelos a mascar,
O som da sua urina a cair na areia,
O som da água a ferver na chaleira,
O som que se faz quando se sorve chá muito quente,
O som da noite,
As cantigas das estrelas,
Os sonhos,
Os sonhos dos nossos companheiros.
Para os poetas árabes, o deserto, na sua presença ou ausência, é poder. Mas este poder pode tomar diversas formas... Em todos os casos, o deserto é um contexto, seja uma ameaça à vida ou a vida em si, e possui uma voz.
Lebanese poet Nadia Tueni also uses the desert as an image of war, destruction, and the death of fertility. And as in Jabra, the desert is empty:
What more does war need?
A road, someone living, someone dead,
a river of sacred mud,
and the devouring heat of June.
A clock, a wall, an old saber,
a head forgotten at the top of the stairway,
a Bedouin white against the background of sand,
and the double noise of fear.
(Tueni 1978, 108)
Tueni's desert image of the Bedouin "white against the background of sand" comes at the end of a list of other fragmented images, the result of the fragmentation brought by war. The road she mentions, like Jabra's "ceaseless wandering," does not promise to lead anywhere.
Num comentário de 16 de Outubro, o leitor do blog Gin e Tónico, deixa no ar a vontade de maior informação sobre a Irmandade Muçulmana. A Irmandade Muçulmana caro leitor, surgiu em 1928 em Ismailiya no Egipto, como um clube de jovens, que dava ênfase à reforma social e moral, através da comunicação, informação, mas também da propaganda.
O nascimento da Irmandade em Ismailiya tem um fundo lógico, nessa altura Ismailiya era o Quartel-General da Companhia do Suez e principal base militar britânica no Egipto, sendo portanto um poderoso vórtice multi-dimensional da influência Ocidental e visto como uma ameaça para a identidade política, económica e cultural do povo egípcio. Foi só depois dos egípcios terem em 1936 montado resistência armada, e os palestinianos árabes terem-se revoltado na Palestina contra o Mandato britânico e a colonização Zionista em 1936-37, que a Irmandade se transformou formalmente numa entidade política (1939) o que ilustra a tese de que o radicalismo floresce debaixo de uma ameaça exterior. A Irmandade declara então que:
a) O Islão é um sistema abrangente e evolutivo, sendo a derradeira “way of life”, em todas as esferas,
b) O Islão fundamenta-se e emana de duas fontes, o Alcorão e a da Tradição Profética,
c) O Islão é aplicável a todos os tempos e lugares.
A Irmandade Muçulmana passou então por períodos mais conturbados com Nasser (1953-70) e menos conturbados com Sadat (1970-81), que até concedeu alguma legitimidade política à Irmandade, que conseguiu sentar quase dez membros no Parlamento, e reclamando cerca de um milhão de apoiantes. Mas Sadat visava co-optar os líderes da Irmandade, tornando-a assim mais reformadora. Esta jogada fez com que alguns membros da Irmandade abandonassem o movimento para estabelecer movimentos autónomos mais radicais entre eles;
a) Mukfirtiya,
b) Jund Allah,
c) Al Jihad,
Algumas destas células secretas atacaram cinemas, bares e discotecas consideradas ofensivas aos bons costumes islâmicos, durante este levantamente as autoridades egipcias prenderam 60 activistas. Estas prisões levantaram boa parte da população que exigia um julgamento justo para os activistas em vez de um encarceramento indefinido.
Em 1978 a Gamaat Al Islamiya venceu as eleições para a União dos Universitários com 60% dos votos. A maioria dos estudantes universitários, tinha origem rural e na pequena burguesia, que sempre constituiu a espinha dorsal da Irmandade. Alienados pelo reconhecimento de Israel por parte de Anwar Sadat, desgostosos com a corrupção material e espiritual do regime egipcio, sentindo-se ameaçados pela abertura da economia à “invasão” estrangeira e com cavar do fosso entre a elite rica e a maioria pobre, esta secção da sociedade tornou-se inimiga de Sadat.
Ayman Zawahiri entra em cena
Por volta dessa altura Ayman Zawahiri chefia uma das células da cidade do Cairo, filho de um prestigiado farmacêutico egipcio, Zawahiri tornou-se depois um cirurgião reputado antes de se tornar em 1978 no líder incontestado da Al Jihad, que mais tarde depois de erros sucessivos de Hosni Mubarak, se fundiu com a Al’Qaeda, tendo Zawahiri se tornado no braço direito de Bin Laden.
A 6 de Outubro de 1981 seis soldados, membros secretos da Al Jihad, durante uma parada militar metralham Sadat e vários outros. O Tenente Khalid Ahmad Shawki Istambouli, que puxou o gatilho que tirou a vida a Sadat declarou mais tarde, “Matei o Faraó, mas não temo a morte.”
Uma rápida noção de Sharia, só para situar os leitores nos post já afixados e nos que se seguem...
SHARIA é o corpo da Lei religiosa que orienta os Sunitas e os Xiitas. O Islão não faz bem a distinção entre vida religiosa e secular, e portanto a Sharia cobre não só o rituais religiosos e a administração da Fé, mas também os aspectos do dia-a-dia
São horas para a paragem do dia. Atiro a minha carga para o chão. Olho em volta à procura de pequenos arbustos secos, preciso de lume para o chá. Quebro os ramos secos e estaladiços com facilidade, levanta-se um pouco de areia. Olho para sul. Acendo o fogo. Lavo as mãos e a cara com a areia do deserto. Chamo para a oração.
Allahu akbar
Allahu akbar
Haya ‘ala –s- salah
Haya ‘ala –s- salah
Haya ‘ala –l- falah
Haya ‘ala –l- falah
Allahu akbar
Allahu akbar
Palavras baralhadas pelo vento. Inclino-me perante Deus.
Horas do chá. Que verto três vezes sobre o copo vazio antes de beber.
Desde que o desenvolvimento económico acelerou nos países muçulmanos, após as independências no fim da Segunda Guerra Mundial e a subida dramática do preço do petróleo nos anos 70, que os grandes centros urbanos têm-se revelado pólos de atracção para grandes números de migrantes provenientes de zonas rurais e aldeias empobrecidas, do interior destes países.
Não será de estranhar que a grande maioria se sente perdida e desenquadrada nestes ambientes cosmopolitas. As cidades tornam-se assim depósitos de massas humanas alienadas, encaixotadas em subúrbios. Uma audiência facilmente cativável e recrutável por parte de grupos revolucionários, seculares e religiosos.
Os muçulmanos fundamentalistas tentam juntar os alienados em torno do Islão, se lhes for permitido operar abertamente. Apresentam o Islão como uma religião de justiça e igualdade, caracterizando o regime político instalado como injusto, não-islâmico e corrupto. Merecendo ser derrubado ou no mínimo substituído de forma não-violenta por um regime de crentes. As tácticas para o alcance deste objectivo variam:
a) Desde a criação de células secretas, que propagam os seus ideias em mesquitas e ajuntamentos populares;
b) Desde a confrontos sangrentos com forças de autoridade;
c) Desde à participação pacifica em eleições;
d) Desde a planificação e execução de ataques terroristas;
e) Desde a subversão de instituições oficiais através da infiltração.
Normalmente grandes organizações tendem a operar abertamente e pequenas organizações tendem a operar clandestinamente. Por outro lado organizações grandes como a Irmandade Muçulmana, uma organização que goza de grande popularidade no Egipto, sempre manteve uma importante estrutura underground, mesmo enquanto foi permitido o seu funcionamento às claras. Mas independentemente do seu tamanho o objectivo deste tipo de organizações mantém-se sempre o mesmo; a instalação de um regime cujas leis fundamentais se baseiem na Sharia.
Uma das formas usadas para a instauração de um regime islâmico é a transformação do protesto social, num movimento revolucionário, usando símbolos islâmicos, linguagem islâmica e festivais religiosos. Foi isto que aconteceu no Irão, com a diferença de que lá não existia um partido islâmico como a Irmandade Muçulmana, em vez disso existia um movimento mais influente, uma orgânica de ulama Xiita, com autonomia económica e uma estrutura extensíssima. Outro caminho para a instauração de um regime islâmico passa pelo assassinato do Chefe de Estado, exemplo disso o assassinato de Muhammad Anwar Sadat no Egipto, ou a captura de um importante local religioso como a Mesquita Sagrada em Meca.
Hosni Mubarak na génese da internacionalização de alguns grupos terroristas.
No entanto a corrupção e a opressão que levaram à dissidência e à violência no Egipto e na Arábia Saudita, mantêm-se. Em vez de permitir que os moderados da Irmandade Muçulmana tivessem uma participação política activa, como foi sugerido por Clinton ao presidente Hosni Mubarak, o Egipto retomou o processo de perseguição, tribunais marciais e julgamentos sumários dos membros da Irmandade. Braços radicais da Irmandade como a Gamaat al Islamiya e a Al Jihad, foram tão reprimidos que se viram forçados a abandonar o país. Por isso enquanto Mubarak resolvia a questão do fundamentalismo no Egipto, exportava parte do problema para o exterior – ajudando assim indirectamente a Al’Qaeda que apesar de ser um interveniente relativamente novo nestas andanças, se fundiu com a Al Jihad em 1998.
Este fim de semana recebemos um email de um leitor que assina Cristão-Ibérico. O leitor começa por congratular o Resistência Islâmica;
“Desde já o congratulo pela belíssima ideia de lançar um blog sobre o islamismo em língua portuguesa.”
A dupla do Resistência Islâmica agradece as amáveis palavras e por sua vez, enaltece a elevação e o espírito crítico construtivo e aqui e ali sagaz do leitor Cristão-Ibérico (ao contrário de tantos outros emails que recebemos).
Mas vamos ao conteúdo, escreve o leitor;
“É perfeitamente um lugar-comum que os ismlâmicos sejam identificados com fanatismo e terrorismo. Por favor, peço-lhe desde já que não ponha o carro à frente dos bois e evite teclar furiosamente acusações sobre os pecados da Reconquista, as Cruzadas, a Inquisição e Israel. Não se trata de acusações mas de diálogo. É óbvio que é uma boçalidade de todo o tamanho alguém se orientar pela lógica "muçulmano = fanático afegão = terrorista". tratar-se-á de uma ideia, dir-me-á, dada pelo peso da comunicação social, mais preocupada com a cobertura (ou melhor, exposição, não concorda ?) mediática da barbárie do ser humano do que afinal o que o mesmo ser humano carrega de bom.”
Acho que dificilmente neste blog alguma vez se publicarão posts acusatórios às Cruzadas, à Inquisição ou à Reconquista (deixo Israel de fora), eu e o senhor sabemos que a História está pejada de fases bárbaras de carnificinas e desumanismos por parte de quase todos os povos. Sei que o expansionismo árabe islâmico e as hegemonias turcas não foram conseguidas com falinhas mansas. Acho que não seria sério, como diz o leitor “teclar furiosamente” sobre eventos com muitos séculos, procurando nesse argumento justificar os excessos de alguns irmãos.
A relação com os media é muito complexa... vou-lhe dar um exemplo. Não sei se viu os Jogos Olímpicos de Sydney, mas na televisão alemã, durante a cerimónia de abertura enquanto a câmara de filmar focava cada uma das nações participantes uma a uma, e enaltecia os seus recordistas, os seus feitos desportivos e mesmo culturais, sempre que filmava uma nação islâmica falava de terrorismo, guerra civil e fundamentalismo. Países diversos como a Algéria, o Sudão, a Malásia e o Paquistão foram apresentados desta forma, repito, nos Jogos Olímpico! De facto como diz o leitor há uma exposição excessiva, e quase sempre do mesmo figurino, alguém com o Corão numa mão e uma AK-47 na outra, e é esta a imagem que passa para o cidadão menos bem informado e a que ele vai reter mais facilmente.
Os estereótipos negativos não existem no vácuo, a sua repetição contínua leva há desumanização dos indivíduos (neste caso dos árabes), tornado-os menos humanos, estreitando a nossa visão do mundo e desfocando a realidade. É por exemplo tão raro vermos um família árabe no seu dia-a-dia, a porem a mesa, a levarem o cão à rua, a irem ao mercado. Mas fartamo-nos de ver o interior de campos de treino.
Ficaria surpreendido caro leitor, com a quantidade de emails que recebo e que começam por “Eu não sei praticamente nada sobre o Islão, mas....” e pelo meio aparecem sempre expressões como terrorismo, fundamentalismo, etc, sempre e sempre as mesmas questões. Pouca gente se interessa realmente por ser acordada desse desconhecimento, tive á pouco tempo uma pessoa interessada em receitas (faloudeh kermani), o que me agradou.
Mais adiante o leitor continua;
“Porém, como já o disse, não foram as acusações que me levaram a escrever-lhe. O
motivo pelo qual eu me sentei a teclar esta mensagem foi o de oferecer uma humilde contribuição para a discussão”
Já está a contribuir caro leitor e fico-lhe agradecido por isso. Só é pena não me ter dado um nome, detesto ter que o tratar por “leitor” ou por “cristão-ibérico”. É estranho como mais de 90% da correspondência que recebemos é anónima ou assinada de forma a marcar uma posição pela diferença. Fica sempre no ar a ideia de que estes títulos conferem uma dada legitimidade ou que carregam para a discussão uma saraivada de valores. Prefiro sempre que assinem com um nome, nem que seja inventado, porque para um Rui ou para um Rashid, para um Marco ou para um Muhammad, os valores humanos básicos são ou deviam ser sempre os mesmos.
“Toda a gente sabe que o fundamentalismo islâmico existe e que um número apreciável de muçulmanos encara as suas relações com o mundo cristão numa pespectiva de conflito, como se estivesse actualmente em curso uma Décima Cruzada. Eu sei que digo uma burrice, mas o próprio título que escolheu para o seu blog acaba por ser partisano, ainda que apenas superficialmente, dessa ideia de antagonismo. "Resistência Islâmica"? Diga-me sinceramente se entende que alguém hoje em dia pretende provocar o mundo muçulmano enquanto tal, ou melhor, se o mundo muçulmano é sequer uma entidade política susceptível de ser provocada enquanto tal.”
Já uma vez um outro leitor me questionou sobre o título do blog, na altura (Julho de 2003, julgo) escrevi um post algo extenso sobre o significado do título, que sendo de uma tradução em persa nada tem a ver com o conceito de Resistência, como em resistência francesa. Nada tem a ver com um grupo que resiste a algo. Mas um conceito religioso de identidade.
É necessário de uma vez por todas perceber que os Islão é uma religião universal e não uma nacionalidade. O Islão é uma religião universal com mais de 1.2 biliões de praticantes, mas estes praticantes não são uma massa unificada. Têm culturas diferentes, uma maneira de viver diferente, história diferente, cor diferente, etnicidade diferente, língua diferente, maneira de vestir diferente, mentalidade diferente, status social diferente e finalmente experiências diferentes. A única coisa que têm em comum são os cinco pilares do Islão.
Eu como exemplo, nascido no Irão, criado no Líbano, estudei em Inglaterra e estou agora a viver em Portugal, mas gostaria de ser enterrado em Karbala no Iraque.
Quem sou eu? Um iraniano? ou um libanês? Um cidadão do Mundo ou da Europa?
Em relação ao que me escreve sobre as escolas francesas e alemãs. Existem na europa dois modelos de identidade disponíveis para as minorias étnicas, o francês que é todo inclusivo, que faz com que “se vives em França, tens de assimilar a ser fancês”, com a famosa história de uma menina marroquina que foi expulsa de uma escola pública por querer usar um lenço para cobrir a cabeça. O modelo alemão que é todo exclusivo em que só se é alemão pelo sangue, uma história comum. Outros modelos caem entre o isolamento, a integração e a segregação em muito poucos casos o reconhecimento de diferenças e respeito. Para muitos muçulmanos este cenário é dramático, pois é rotulado de não querer participar em nenhum destes modelos. Mas poucos se lembraram de apresentar alternativas.
Outras passagens;
“Bem sei que Huntington via em todo o mundo, e principalmente nos dois lados do Mediterrâneo, um "Choque de Civilizações"; não será antes, pergunto-lhe, um
choque dos interesses de quem está no poder e procura utilizar a ignorância e os estereotipos de quem é governado para legitimar as suas acções? Ou realmente vê na ofensiva da
administração Bush - filho um avatar de um harmónico e unitário mundo cristão a regalar-se com a ocupação dos muçulmanos? É realmente não perceber nada do "mundo cristão", se é que ele existe.”
“Não haverá por parte dos muçulmanos também uma certa incapacidade de se adaptarem ao mundo dos outros, que contribuiu grandemente para o mito totalmente falso e infundado (já que recuso identificar o inefável Khomeiny com os muçulmanos) da intolerância muçulmana. Recordo-lhe que os cristãos que vivem no mundo muçulmano têm o hábito de tirar os
sapatos quando entram nas igrejas. Fica a pergunta no ar. E é tudo. Desde já lhe agradeço a atenção dispensada se fez o obséquio de me ler, e ainda mais se publicar a carta no seu blog e me der a honra de uma resposra. Recordo-lhe que não estou a lançar acusações mas unicamente a dar uma perspectiva diferente nas relações entre cristãos e muçulmanos neste mundo conturbado em que vivemos. Afinal, para quem acredita, somos todos filhos de Abraão, pelo que deveremos ter mais em comum do que a separar-nos certamente.
Atenciosamente - cristão ibérico”
A quase todas estas questões já respondemos em vários outros post, pelo que aconselhamos a consulta nos arquivos da antiga morada, ou imploramos paciência até que tenhamos tempo de importar os arquivos para este novo site.
Segundo uma noticia da agência Reuters, a polícia de Teerão anda à procura de um "feiticeiro" que conseguiu convencer um cliente de que através da ingestão de uma determinada bebida, por si fornecida, este conseguia tornar-se invisível.
O crédulo cliente após o pagamento de cinco milhões de Rials ao feiticeiro, dirigiu-se a uma agência bancária, saltou o balcão e começou a encher um saco com dinheiro de um caixa do banco. Rapidamente dominado pelos outros empregados, revelou-se estupefacto pelo facto de outras pessoas o conseguirem ver.
Apesar perante o tribunal ter-se mostrado arrependido, não se livrou de uma temporada na cadeia. A investigações continuam na tentativa de apurar o paradeiro do feiticeiro.
Mas não resisto a contar esta anedota estúpida.
"Quando é que se pode considerar que um sírio está a ter estudos superiores?
Quando ele vai ler a banda desenhada para o telhado de sua casa."
Os blogs lusos devem ser freneticamente escrutinados pelos americanos, passo a explicar; é que no Sistema Echelon, a sigla UBL, que na blogoesfera lusitana significa União dos Blogues Livres, significa Ussama Bin Laden. A contratação de tradutores inglês-português deve ter disparado lá para os lados de Langley.
O blog Resistência Islâmica transferiu-se para esta morada. Optámos pelo MovableType em vez do Blogger, após as primeiras impressões o MT parece-nos bastante mais potente e versátil do que o Blogger, se bem que mais complexo.
Prophet Muhammad (peace be on him) sent a message to the monks of Saint Catherine in Mount Sinai:
"This is a message written by Muhammad ibn Abdullah, as a covenant to those who adopt Christianity, far and near, we are behind them. Verily, I defend them by myself, the servants, the helpers, and my followers, because Christians are my citizens; and by Allah! I hold out against anything that displeases them. No compulsion is to be on them. Neither are their judges to be changed from their jobs, nor their monks from their monasteries. No one is to destroy a house of their religion, to damage it, or to carry anything from it to the Muslims' houses. Should anyone take any of these, he would spoil God's covenant and disobey His Prophet. Verily, they (Christians) are my allies and have my secure charter against all that they hate. No one is to force them to travel or to oblige them to fight. The Muslims are to fight for them. If a female Christian is married to a Muslim, this is not to take place without her own wish. She is not to be prevented from going to her church to pray. Their churches are to be respected. They are neither to be prevented from repairing them nor the sacredness of their covenants. No one of the nation is to disobey this covenant till the Day of Judgment and the end of the world."
Num livro fabuloso intitulado "Woman in the Muslin Unconscious" de Fatna Sabbah, pode-se ler:
"I would like to say to the young men formed in our Muslim civilisation that it is highly improbable that they can value liberty - by which I mean, relating to another person as an act of free will, whether it be in bed, in erotic play, or in political debates in party cells or parliament - if they are not conscious of the political import of the hatred and degradation of women in this culture."
Continuo infelizmente a ler artigos, sobre as atrocidades cometidas em nome do patriarcado e da honta tribal.
Recebi esta semana um email de um leitor brasileiro que perguntava
Caro sheik,
Meu nome é Fábio e vivo em São Paulo, Brasil. [...]
Por exemplo, a questão da caridade no Islã. Tem dois conceitos que me confundem. Um é o do Zakat, a contribuição de cada fiel (confirme para mim, é 2,5 % da renda pessoal de cada um ?). E o outro é o Waqf (instituições que administram mesquitas, escolas ?). O Zakat seria uma possível fonte de renda para o Waqf ? Ou o Waqf seria mantido apenas por funcionários do Estado islâmico e muçulmanos abastados ?
Caro Fábio
Confirmo que o Zakat é o terceiro pilar da religião islâmica e sim, trata-se de uma esmola que todo o muçulmano deve dar anualmente, e destina-se aos desfavorecidos. O montante que cada crente deve subscrever para o referido fim, varia conforme o produto sobre o qual recai esta espécie de "imposto" (por exemplo produtos agrícolas, dinheiro, mercadoria) mas em princípio a taxa é de 2,5%.
O Hamas, a Al-Qaeda, eles funcionam tal qual um Waqf ? O Hamas teria como nome Movimento de Resistência Islâmica e é sunita - o seu site também se intitula "Resistência Islâmica" - você seria sunita ou xiita (no Irã, sei que a maioria é xiita) ?
E o Hezbollah ? Uma vez vi na BBC uma reportagem sobre a atuação do Hezbollah, no Líbano, a respeito de instituições de caridade.
O que pensa a respeito do atual governo do Irã ?
Desculpe-me fazer tantas perguntas, é que são muitas as dúvidas que eu tenho.
Muito obrigado
Caro Fábio,
Quanto a mim, eu sou xiita.
Algumas das perguntas sobre o Hizbollah, a Al'Qaeda e o Hamas, verá respondidas na série de documentos a publicar sobre terrorismo, muito brevemente.
Disponha sempre.
Num comentário ao meu post de 1 de Setembro, o leitor Carlos Gomes, pede-me um comentário à morte de Muhammad al-Hakim.
Caro Carlos Gomes, como é obvio o Resistência só pode lamentar o assassinato de al-Hakim e das restantes 112 vitimas. Nada o justifica.
A morte de al-Hakim veio levantar a tampa a um caldeirão muito picante. Não esqueça Carlos, que todas as facções Xiita no Iraque estão organizadas segundo o modelo iraniano, ou seja uma cúpula sustentada por uma milícia armada, que quando largada nas ruas é normalmente "trigger happy".
Ora com a morte de al-Hakim, um homem que até agora pedia moderação e que falava na criação de uma Constituição, algumas das facções irá colocar as suas milicias na rua, e no momento seguinte em que uma delas o fizer, todas o farão. Eu já vi isso acontecer no Irão e o resultado, não foi famoso. Algumas destas milícias são brutais.
Jã não se sabe o que esperar, nem existem mais os "limites" que antes julgavamos haver. Um carro armadilhado à entrada do oratório do Imã Ali... durante a oração de sexta-feira.
É o mesmo que um carro-bomba explodir no centro de Fátima num domingo em que o recinto estará cheio. É o fim dos limites.
Tenho recebido com alguma frequência as duas seguintes perguntas:
1) De onde é que o Islão retira o seu dogma?
2) Que contém mais precisamente o Alcorão ?
Aqui ficam as respostas:
1) De onde é que o Islão retira o seu dogma?
O Islão retira o seu credo de Allah Todo Poderoso. As suas palavras foram reveladas ao Profeta Muhammad através do Arcanjo Gabriel.
2) Que contém mais precisamente o Alcorão ?
O Alcorão contém inúmeros tópicos e aspectos que dificilmente poderão ser todos inumerados neste tipo de resposta. No entanto numa leitura genérica do Corão deparar-se-à com o seguinte;
1. O Corão fala-nos de Deus, de Fé, dos Pilares da Fé, a forma de encarar anjos, o eterno, a predestinação e as escrituras
2. Histórias do Profeta, sobre nações e tribos. Como os povos de Israel e FaraóMoisés, Jesus, Noé, Lot, etc.
3. Milagres, alguns versos do Corão contêm descrições detalhadas sobre a vida em estado embrionário dentro do ventre de uma mulher, como as nuvens são formadas, como o Universo foi criado, sobre o fundo dos oceanos, etc...
Que tal uma leitura?